quinta-feira, 15 de julho de 2010

É só repousar meu braços...

Sobre o papel que, sem que eu tome conhecimento, as linhas que eu escrevo se amarram em meus pulsos, como algemas de náilon. Elas passam a escrever por mim. Quando percebo, estou preso às folhas e, a cada movimento que faço tentando me libertar, mais profundos são os cortes que essas linhas entalham na minha pele. Não mais consigo empunhar a caneta. O nó aperta, atritando-se contra meus ossos. O sangue cobre as folhas pautadas, apagando tudo o que eu escrevi até então. Fitando a folha, agora vermelha, vejo que estou livre para escrever novamente, agora em novas cores. Me pergunto: Devo ou não escrever? Devo ou não dizer? Devo eu apenas guardar pra mim esses contraditórios sentimentos bifurcados? No calor da hora, a gente não percebe que as flores que a gente escreve podem atingir como espinhos a pele do destinário. A gente manda rosas, mas se esquece de avisar que elas não devem ser seguradas pelo caule, repleto de espinhos.

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